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sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Agora chega!

Eu bem que tentei ficar calado, não me meter.
Mas estava recebendo há mais de 3 anos e-mails diários, tentando me convencer
dos rumos perigosos que as coisas iriam tomar se não se fizesse nada.
Sempre dava uma resposta educada, curta, mas esclarecendo que em democracia
é preciso se conviver com os contrários e respeitar as diferenças.
Até porque política, futebol e religião, não se devem discutir.
Eu disputei uma única eleição na vida. Em 1980, para a diretoria do SATED/SP.
Fiz parte da chapa que foi derrotada. Tive colegas ilustres nesta chapa.
Fiz amigos até entre alguns integrantes da chapa que nos venceu. Amigos que
reconheceram a lealdade da disputa.
Naquela época, a mais grave acusação que se poderia fazer a alguém era de que
"era financiado por Moscou".
Eu também fui acusado de ser financiado por Moscou.
Sabem qual foi a minha reação diante da primeira acusação? Na hora, nada.
No bar, quando íamos todos para o café, fiz questão de pagar, dizendo:
- Recebi a grana de Moscou ontem, portanto deixa comigo...
Nunca mais tiveram a audácia de repetir uma acusação tão estúpida.
E seguiu a vida.
3 anos depois tive que me mudar para o Rio de Janeiro. Um novo começo.
Em São Paulo não tive mais espaço para trabalhar...
Eu vim para o Rio, primeiro sosinho, para trazer minha família, esposa e 3
filhos pequenos, quando pudesse.
Algumas datas são inesquecíveis. Dia 25 de março de 1983 fui admitido em
uma empresa de dublagem, a Herbert Richers.
Visitava São Paulo nos finais de semana porque tinha que dar assistência aos
que lá tinham ficado. Viajava de madrugada para dormir também.
No dia 20 de julho de 1983, portanto 3 meses e meio depois da minha
admissão, fui a São Paulo para trazer minha família, definitivamente.
Sempre tive posições políticas claras e nunca as escondi.
Fui patrulhado, sim, em 1989. Eu não "collori". Simplesmente dizia que meu
candidato a presidente era Leonel Brizola.
No segundo turno, tive que votar em Lula. Perdemos.
Eu partilhava uma sala na Herbert Richers com outros diretores de dublagem e,
logo após a confirmação da vitória de Collor de Melo, entrou um colega,
conhecido humorista (coitado!) que batalhou muito por Collor para comentar,
olhando firmemente para mim:
- Agora esses comunistas vão ver o que é bom. Vão para o olho da rua...
Eu continuei trabalhando e até escalando esse infeliz.
Mas a vida seguiu. Eu passei por outras empresas, continuei trabalhando como
diretor de dublagem e ator, ofício que desempenho desde 1967,68, ininterruptamente.
Em 2005 tive um sério problema de saude, que me afastou um pouco da roda viva.
Perdi o contato direto diário com muitos colegas. A internet veio suprir esse contato.
Mesmo assim, alguns eu ainda vejo pessoalmente ou vem à minha casa.
Há os que trocam e-mails quase que diários, o que muito me orgulha.
Há os que professam a mesma fé. Sabiam que também professo uma fé?
Futebol também nunca foi meu forte, mas torço, sim.
Enfim, uma vida normal, né? Também continuo gostando de uma cervejinha.
Isso nunca foi escondido de ninguém. Foi até propagado por mim mesmo.
Lembro até de uma brincadeira que fiz uma vez. No horário de almoço, comprei de
um ambulante um copo de "cerveja fake". Era um copo que se ameaça atirar o conteudo
para qualquer lado e o mesmo continuava no copo.
Adentrei o estudio da Sumara, que estava dirigindo a dublagem da qual eu participava,
e coloquei o copo ostensivamente, simulando estar já alterado. Lembro até hoje da reação
da minha amiga Sumara. Espantou-se de como eu tinha entrado na empresa portando um
copo de bebida alcoólica.
Na continuação, dublei normalmente e disse que iria agora à secretária do Herbert, a Helena.
E quebrei a cara porque ela disse que "já tinha sabido que era brincadeira minha".
Mas, voltemos ao que interessa.
São 3 anos ou mais recebendo e rechaçando e-mails políticos, inclusive os favoráveis ao
governo.
Aí, no orkut, começam a chegar pedidos de amizade de "politicos".  Recuso e respondo
que não quero amigos políticos, sejam de que partido for.
No facebook a mesma coisa. Também recuso e digo porque.
Não quero amizade de pretendentes a cargos eletivos. Porque, no final das contas, SÓ
ESTÃO INTERESSADOS NO MEU VOTO.
Recebi semana passada e-mail, também destinado a mais "n" pessoas me convocando para
uma VIRADA CONTRA O PT.
Quem me mandou? Um dos muitos colegas que nunca se interessaram por mim desde 2005.
E que, coincidentemente, tinha me mandado e-mail dois dias antes pedindo voto para sua
nora.
E-mail que também respondi, educadamente, dizendo que não aceito mensagens desse tipo
e solicitando que não mais as enviasse. E-MAILS POLITICOS NÃO.
Para surpreza minha, veio a resposta de que não tenho memória, porque ele me ensinou a
fazer esquemas, me ajudou e ensinou como se dirige dublagem. Ora, se sou Ator e Diretor
de dublagem reconhecido pelo Ministério do Trabalho desde 1979, como poderial alguém
que me conheceu só em 1986 ter me ensinado?
Responder diretamente só iria me aborrecer mais. Das acusações que me fêz a mais grave
foi que eu não conseguia falar durante a dublagem (por estar bêbado).
Enfim, considerações que não tem que ser levadas a sério. A única constatação é a de que
o que interessava mesmo era o MEU VOTO.
Um amigo a menos? Esse NUNCA foi e, pela resposta, provou.
Meu voto vale tanto assim?  Quando disputei eleições no SATED/SP, consultei o universo
a ser considerado: os associados do SATED/SP.
Quem disputa eleições agora considera outro universo: O Brasil.
Brasil, do qual eu também faço parte.
Então, estou disposto a dar minha contribuição.
Quero examinar todos os candidatos.
Tem um que vem fazendo campanha subliminarmente há mais de 3 anos. Vem se apresentando
como "o mais preparado", "o mais ético", "mais realizador", e não sei o que mais.
Esse NÃO TERÁ MEU VOTO DE JEITO NENHUM.
Mas continuarei não trabalhando para candidato/a nenhum/a.
A não ser que a provocação seja muito grande.
Por enquanto, só perdi um "amigo", que nem amigo era. Portanto não perdi nada.
Quem não pode perder é o Brasil. País no qual vivo e trabalho.
E sempre trabalhei, nem sempre com governos com os quais concordasse.
Alguns até impostos.

domingo, 1 de agosto de 2010

Aguias de Fogo.

Uma notícia que me salvou o domingo, a semana, o mês, o ano... enfim: uma noticia que me deixou
muito feliz.
Não sei o dia em que irá ao ar o episódio que filmei. Sei apenas que a série foi totalmente recuperada.
Pelo menos é essa a informação que saiu no jornal hoje.
Vou ser claro.
Li hoje que o canal Brasil vai apresentar a série AGUIAS DE FOGO, de 1967, que foi produzida para
a TV Tupi.
Eu filmei um unico episódio. Claro, estava começando a carreira. Mas esse episódio marcou toda a
minha vida profissional.
Sim, porque quando quiz saber como iriam fazer para colocar minha voz nas imagens que estavam sendo
filmadas, o diretor Peninha disse:
- Não se preocupe, vai ser tudo dublado.
Imediatamente pensei: - Como vão me dublar? Eu quero ser ator inteiro, não pela metade. Se colocarem
outra voz em mim, o que vai ser da minha carreira?
E insisti para me dublar.
Dia marcado, lá estava eu no estudio, compenetradíssimo.
Até que o diretor de dublagem, Garcia Netto, me chamou e disse que era minha vez.
De cara, não queria aceitar dizer o que ele me pedia. Usei como argumento que não era o que tinha dito
na filmagem.
Fui vencido pelo que ele disse. "-Diga o que está escrito e pronto".
Não foram poucas as tentativas para gravar. Foram mais de uma dezena, com certeza.
Até que o diretor Garcia Netto colocou a mão no meu ombro e disse, bem sério:
-"Meu filho, faça um favor prá todos nós; fique fazendo só teatro porque dublagem você nunca vai
conseguir".
Fui embora com aquilo entalado na garganta...
Mas procurei aprender. Fui então para a AIC, que era a maior dubladora do Brasil na  ocasião.
Fiz um teste, o saudoso Older Cazarré me deu oportunidades e...
Bem, fiz carreira também na dublagem.
O Garcia Netto? Nos encontramos na mesma AIC, tempos depois, quando ele foi reintegrado à casa.
E eu estava escalado para um fixo num seriado chamado "Viagem ao Fundo do Mar". O seriado seria
dirigido por ele.
Não lembro se já contei aqui, mas foi o início de uma amizade com o Garcia Netto, que durou até o
falecimento dele.
Para quem quizer ver os episódios de AGUIAS DE FOGO, informo:
Canal Brasil, segundas feiras às 20,30 horas; horário alternativo: terças às 15,30 horas.
Tudo a partir de 02 de agosto.
Pra mim, vai ser divertido ver a minha cara ainda mocinho... apesar da saudade que também irei sentir
de tantos e tão queridos amigos que já se foram...
A voz que está sobre minha imagem?  Sabem que não sei de quem foi?

quinta-feira, 8 de julho de 2010

É difícil!

Quando iniciei minha carreira de ator não faltaram vozes a me dizer que é
uma profissão difícil.
Comprovei isso na prática. Fiz de tudo um pouco mas consegui sobreviver.
Embora tenha ficado mais conhecido por dublar filmes, nunca escondi   de
ninguém que o que eu queria mesmo era fazer aflorar meu lado de ator.
Terminou o workshop no domingo passado. Obrigado ao Vicente Barcellos,
que ministrou o workshop e injetou animo novo em minhas veias.
Estou ávido de colocar tudo em prática.
Palcos brasileiros, preparem-se porque agora o Chico José vai querer ocupá-los.´
Há gente de muito talento ao meu lado. Gente que também está disposta a mostrar
a que veio.
Por enquanto, vou divulgar apenas suas iniciais. O projeto está maturando. Quando
essa fase estiver completa, vou colocar aqui os nomes inteiros. Por enquanto são
apenas iniciais.
Não é mesmo C.R,  M.L,  L.M., L.N., M.M., L.S.?
É difícil, mas vai valer a pena.

domingo, 6 de junho de 2010

Volta às origens.

Experiencia fantástica!
É só assim que posso descrever o que me aconteceu neste domingo.
Confesso que quando tomei conhecimento do workshop não me entusiasmei.
Meus filhos é que me empurraram para a coisa. Sob vários argumentos, a maioria suspeitos
porque partidos de filhos; e ninguém me conhece como eles.
Mas finalmente topei. Tá, aceitei participar de uma turma da qual eu não conhecia ninguém
para nos encontrarmos todos os domingos e para que?
Para um  workshop (eu particularmente prefiriria oficina) de interpretação para TV.
Não espero ser, por causa disso, escalado para nada na TV. Já passei da época de perseguir
essa meta. Mas as pessoas que estão participando!
Prá começar minha maior surpresa. Esperava encontrar gente deslumbrada, cada um mais
cheio de si do que os demais.
Quebrei a cara! Encontrei muita gente consciente e, minha alegria maior, todos compenetradíssimos.
Gente que está disposta a batalhar por um lugar ao sol. Gente com talento.
Se vão conseguir? Só Deus sabe.
Eu, que dirigi atores por tanto tempo em dublagem, de repente senti o enorme prazer de voltar
a ter um diretor.
São 21 participantes na minha turma. Dentre os textos que recebi deixei para escolher o que
eu preferiria fazer após conhecer o pessoal.
Intimamente eu já tinha escolhido uma pessoa e só faltava propor a ela que dividisse a cena
comigo.
Velho hábito de quem se habituou a escalar as pessoas. Não deu tempo!
O diretor escolheu a pessoa exata em quem eu tinha pensado e... surpresa! A cena que eu
achei que daria para fazer com ela.
O mais bacana de tudo: o diretor me sacudiu (moralmente) quando disse:
- Você está se mostrando para o mercado.
Mas foi emocionante ouvir de um profissional que está na ativa as palavras dele.
Principalmente para mim que já estava fora do mercado, graças a minha teimosia em querer
lutar por direitos de intérprete na dublagem.
Mas... bola pra frente.
No mês de julho estarei mais rico porque terei estreitado laços de algumas amizades.
Todo o clima que foi criado num primeiro dia de workshop (ainda preferiria Oficina) promete.
Mas sou eu voltando ao começo de carreira; voltando às origens.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Cirurgia bem sucedida...

Peço desculpas e permissão para falar de um assunto particular.
Meu filho mais novo estava na fila para uma cirurgia delicada. Daí a razão
de eu não estar postando nada aqui.
Teve que haver interferência da Justiça para que fosse autorizada a cirurgia.
Que se realizou finalmente em 15 de maio, no hospital Copa D'Or.
E que hoje finalmente estamos vendo o começo do fim desse processo, visto
que lhe foi dada alta e meu filho volta para casa.
Agora é torcer por sua recuperação total.
Cirurgia bem sucedida.

Outra coisa. Por causa da preocupação com esse assunto, tudo o mais ficou
para trás. Estou vendo que alguns videos postados aqui neste blog o foram
como sendo de filmes dublados por mim. Uma meia verdade.
Durante minha carreira, muitos atores que dublei também o foram por outros
colegas.
Mas vocês hão de perdoar essa falha, né não?

Terceiro assunto: política. Já pedi educadamente que não me enviem e-mails
com arquivos fazendo propaganda de políticos. Sabem o que estou fazendo?
Estou deletando-os sem nem mesmo abri-los. O próximo passo é tirar o
remetente da lista de contatos. O último é... bem, imaginem.

Agora que meu espírito está mais aliviado, graças a uma cirurgia bem sucedida,
prometo voltar logo. Há muita coisa para se falar...

segunda-feira, 8 de março de 2010

Corinthians, Meu Amor.



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Tenho um grande amigo em São Paulo que escreve para teatro. Ele dirige e mantém um grupo de teatro naquela cidade há mais de 40 anos. Fui testemunha ocular do nascimento desse grupo. Trata-se do TUOV - Teatro União e Olho Vivo, que já representou o Brasil várias vezes em diversos festivais pelo mundo afora.
O nome (artístico) desse amigo é CESAR VIEIRA.
Nossas histórias se fundiram algumas vezes antes que eu tivesse que optar por ganhar a vida dublando filmes para a TV e cinema.
Pois bem: no longinquo ano de 1966 nós promovemos uma leitura dramatizada de um roteiro para cinema no Parque São Jorge, sede do S.C. Corinthians Paulista.
Imprensa também convidada, diretores e produtores de cinema, enfim o objetivo era interessar alguém pelo roteiro.
Mas a nossa falta de experiencia também nos fez cometer outra loucura: entramos no campo, antes de uma partida de futebol, e convidamos o público que estava ali para ver o jogo para que também fossem prestigiar a leitura, que seria feita no ginásio de
basquete.
Pensamos: ninguem vai mesmo! Mas pelo menos convidamos!
Começamos a leitura quando o jogo já estava terminando...
Leitura interpretada, com a participação da então miss Corinthians, Eunice Cardinale, de Elisa, saudosa torcedora-simbolo do Corinthians, e alguns atores em início de carreira,
Eloy de Araujo, Ivone Hoffmann, Amilton Monteiro, e, claro, eu, Francisco José.
Como estávamos enganados! Veio chegando gente, mais gente, mais gente...
E a reação do público foi algo impressionante: palmas, mais palmas, mais palmas...
O roteiro nunca foi filmado. Mas, pouco tempo depois, pediram ao Cesar Vieira para adaptar esse roteiro para o teatro. 
Houve várias montagens e numa delas eu participei também como ator...
Ano passado estive em São Paulo e procurei Cesar Vieira. Conversamos muito sobre vários assuntos.
 De repente, a constatação: em 2010 o Corinthians faz 100 anos.
E Cesar Vieira me dá a honra de concordar que eu tente viabilizar a gravação do texto da peça "Corinthians, Meu Amor".
Gente, vai sair. E vai ser um grande sucesso. Um sucesso que eu ajudei a nascer lá em 1966.
Que Deus me ajude e inspire nos convites que serão feitos...

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Espaço pretende ser democratico... Gostaram? Façam criticas, sugestoes...



Eu tinha prometido que iria começar a postagem de novos textos só em março. Mas está sendo difícil segurar. Com um blog repaginado, graças à generosidade de gente que, mesmo a distancia, acompanhou nosso trabalho... Espero que gostem. Façam críticas, sugestões. O espaço pretende ser democrático; o mais democrático possível, desde que se evitem discussões a respeito das pessoas mais e as menos indicadas para dirigir os destinos do Brasil pelos próximos anos... Dessa discussão estou fora. Não por não ser politizado, pois o sou, graças a Deus (e acrescento que muito bem).

Mas acontece que recuso-me a discutir política partidária. Sejam quem forem os vencedores da próxima eleição, eu continuarei a trabalhar, como sempre fiz. E para as pessoas que pretendem fazer a minha cabeça também não será diferente. Portanto, nada de se discutir política partidária aqui. No mais, tenho pensado em contar algumas histórias que vivi em minha longa carreira dentro domundo fascinante das artes. Com gente que já viajou fora do combinado (royalties para Rolando Boldrin) como com gente que ainda está entre nós.
Na festa de aniversário do Guilherme recebi a sugestão de um podcast...
Estou estudando para saber que bicho é esse. Talvez eu também venha com um...No mais, deixem-me curtir o visual repaginado do meu blog... que também pretendo que seja de todos os meus amigos...


sábado, 20 de fevereiro de 2010

Errando é que se aprende...

Houve uma sucessão de erros. Primeiro eu decretei a morte do meu blog... Errei feio.

O Chico Borges tinha ido para o andar de cima e eu fiquei chateado... morte ao blog!

Só que a vida aqui embaixo continuou... e outras pessoas igualmente importantes em minha vida também passaram para o andar de cima. Amigos de São Paulo e do Rio, onde me radiquei...

De São Paulo, o Carlos Alberto Vaccari, o Mario Vilella, O Renato Consorte, Eleu Salvador, Helena Samara... gente que marcou minha vida enquanto estive lá...

Do Rio, Newton da Matta, Allan Lima, Rodney Gomes, Francisco Milani, Nilton Valério...

Também gente que marcou minha vida...

Então resolvi tentar consertar o erro e reformulei todo o blog. E escrevi nova postagem tentando consertar o erro e falei dos últimos que passaram para o andar de cima: o Muhybo Cury e o José Soares... também figuraças que cruzaram o meu caminho.

Só que o texto se perdeu nos meandros da informática. Agora estou tentando de novo.

Será que desta vez eu acerto? Errando é que se aprende. Espero estar aprendendo.

Mas rogo aos deuses da informática que não sumam com meu texto.



Voltei?( 2)

Reconheço. Tomei uma decisão errada.

Tinha decidido que não mais voltaria a escrever aqui porque fiquei muito chateado com a partida do meu amigo Chico Borges há tempos...

Logo eu, que não acredito em morte. A gente não morre; passa para o andar de cima e fica aguardando a hora de poder voltar para cá, para poder continuar a tentar acertar.

Cheguei até a admitir em uma entrevista que tinha decretado a morte do meu blog por causa do Chico Borges...

Ora, se eu não acredito na morte e acredito na volta, meu blog também está voltando...

E depois do Chico Borges, também resolveram subir para o andar de cima o Carlos Alberto Vaccari, outro amigo de São Paulo.

Mas eu tinha feito outros amigos aqui no Rio. E alguns também fizeram a mesma coisa: o Newton da Matta, Mauricio Seixas, Allan Lima, o Rodney Gomes, Francisco Milani, Nilton Valério, não nessa ordem...

Recentemente, logo depois do Natal, estava ouvindo uma rádio na web e estavam apresentando uma reportagem com uma figura de São Paulo que eu também conheci bem: o Muhybo Cury...

Prestei mais atenção na entrevista... e chegou a informação que era uma reprise em homenagem ao profissional que tinha partido...

Pôxa, só gente boa está indo para o andar de cima...

Então, lembrei-me de uma pescaria que eu promovi quando morava em São Paulo ainda...

Fomos eu, é claro, Muhybo, Luis Pini, Garcia Netto, Nelson Batista, José Soares. Na hora ainda recordei:`

É! Agora desses todos aí só restamos eu e o José Soares...

Foi uma pescaria divertida...

Dois dias depois, sou informado através de outro blog que o ano de 2009 tinha levado outros, inclusive o José Soares... Como?

Fui pesquisar e descobri que o José Soares tinha subido na antevespera de Natal...

Não posso então parar...

Todos vocês, meus amigos que subiram, precisam ser homenageados... É preciso que se faça justiça ao imenso coração de todos.

Porisso, estou voltando.

Vou contar histórias boas de todos eles. Eu errei ao parar. Mas acho que agora estou acertando ao voltar.

Não é isso que a gente aprende no andar de cima? Onde errou e como acertar.

Espero ter aprendido a lição.

quinta-feira, 29 de maio de 2008 - Recebi meu diploma

Recebi pelo correio um envelope enorme, que foi entregue sob protocolo na portaria do meu prédio. Vinha do Detran/RJ. Cruzes! O Detran me descobriu, apesar de eu não ter agredido ninguém, mas é que sou doido o bastante para ter um martelo no carro. E se alguém foi agredido com martelo no transito do Rio e eu não fiquei sabendo? Já tinha havido um caso de agressão a barra de ferro no transito do Rio; o agressor já era conhecido das autoridades e, segundo um laudo médico, era portador de certa esquizofrenia. A família já vinha há tempos tentando interditá-lo, parece que sem sucesso. Mas e eu? Não agredi ninguém, nenhum dos meus filhos quer me interditar, ainda. Peguei o envelopão que o porteiro me passou, tratei de tirar o martelo do carro e subi rápido para meu apartamento.

Aí, cuidadosamente, abri o envelope. Lá estava um Certificado de Reconhecimento de Conduta Exemplar, acompanhado de uma carta louvando minha disciplina porque, ao sair de casa para trabalhar ou passear com a família, ao levar os filhos à escola, bla,bla,bla, transformei uma atividade rotineira em uma lição de cidadania.

Bolas, não me encaixo em nada disso! Não saio tanto assim e, nas vezes em que o faço, minha preocupação maior é não ter um revolver apontado para minha cara e perder a dignidade em 10 segundos, como já aconteceu uma vez.

Também evito os pedaços dessa cidade que me acolheu onde tem os malditos pardais que cismam que todo motorista tem obrigação de ser sócio-contribuinte da prefeitura numa indústria de multas vergonhosa.

Já me refiz do susto e da surpreza. Agradeço ao Detran/RJ a gentileza, mas preferia um transito mais humano, com a presença de autoridades para coibir abusos, educar.

Os demais elogios na carta protocolar (quantas mais o Detran/RJ terá enviado?) é melhor esquecer porque aí me dei conta: teremos eleições este ano? Este mundo é muito doido mesmo.



quarta-feira, 25 de junho de 2008 da-ultima - Porque me ausentei.

O mundo continuou maluco como sempre foi. Na minha última postagem disse que tinha me lembrado do Silvio Brito, cantor popular dos anos 80. Continuo na mesma. E vou tentar justificar minha ausência por alguns dias. Ausência que espero não se repita.

Silvio Brito pedia numa canção para que parassem o mundo para que ele pudesse descer. Tinha que pagar para nascer, pagar para viver, pagar para morrer.

Tenho irmãs ainda vivas (?!) em São Paulo. Uma delas. enquanto escrevo, ainda está viva mas prestes a embarcar para a Pátria Maior. Tive que ir a São Paulo para aquela despedida e lá não tinha acesso à internet, razão pela qual me ausentei.

Não tive coragem de continuar a enfrentar o frio paulistano e esperar que minha irmã desencarnasse. Como a morte não existe (acredito piamente nisso), voltei para o Rio onde me adapto melhor às temperaturas, muito embora aqui também faça frio. Mas um frio suportável para um paulista como eu.

Voltando à minha irmã. Fui visitá-la em seu leito. Ao vê-la agonizando, orei por ela, que era o que eu poderia fazer.

Ela não me reconheceu. Não reconhece mais ninguém. Então que estava eu fazendo ali ao lado de um ser que a qualquer hora vai deixar este mundo maluco? Antes de voltar ao Rio, falei ao telefone com a filha dela, minha sobrinha, apenas 5 anos mais nova do que eu e que foi minha companheira de infância. Nos falamos por quase uma hora e tentei consolá-la e justificar minha ausência nessa hora difícil para ela.

Inevitavelmente, contei para ela nessa hora de papo as agruras pelas quais passei há 3 anos, quando eu quase desencarnei. Mas isso é outra história.

Minha sobrinha é uma batalhadora. É professora universitária e dá aulas pela manhã, tarde e noite. Este ano tem sob sua responsabilidade 500 e poucos alunos. Dentre outras coisas falou da impossibilidade que tinha de manter sua mãe em casa. Então o jeito foi colocá-la numa clínica para idosos. Lá minha irmã tem assistência 24 horas por dia. Fui visitar minha irmã e imagino

o gasto dos filhos dela. É minha sobrinha e seu irmão, este 10 anos mais novo que eu. Os dois desdobram-se para visitar minha irmã diàriamente.

Aí entra o Silvio Brito. Minha outra irmã me contou há quanto tempo essa clínica cuida da doente e quanto cobra. Neste mundo tem que pagar para nascer, pagar para viver e... pagar para morrer.

Minha sobrinha me disse saber que sua mãe já está na sua fase irreversível. Não há mais esperanças. Mas que paga e pagaria mais ainda por uma reversão no quadro. Ela e seu irmão não medem esforços.

Porisso me ausentei, mas prometo voltar com mais frequencia. Porque voltando ao Rio e me atualizando nas minhas correspondencias da internet encontrei um contato que está me assustando (para o bem) pelas coincidências. Começou pela crença e...

Não vou continuar para não gorar, como se dizia antigamente.

Eu volto. Até a próxima.





sexta-feira, 13 de junho de 2008

Para o mundo que eu quero descer.

Eu me lembrei do Silvio Brito, cantor muito popular por volta de 1975/1980. Popular e também compositor dos bons. Não sei o que ele anda fazendo mas deve estar levando sua vida honestamente em algum canto deste Brasil.

Porque me lembrei dêle?

Porque na cadeia de Palmas de Monte Alto (BA), a 839 kms de Salvador, aconteceu algo inusitado, para mim pelo menos.

Em 11/06/2008, uma confusão enorme. Dois presos da mesma cela e com o mesmo prenome: Adailton. Não vem ao caso os motivos que levaram os dois à prisão.

Um oficial de Justiça solicitou ao carcereiro que libertasse Adailton Rodrigues. O carcereiro não se deu conta de que Rodrigues já havia sido solto e libbertou Adailton Luis de Jesus da Silva. Surpreso, Adailton L.J. da Silva recolheu seus pertences e se mandou. Ele estava foragido desde 2005 depois de matar o sogro a facadas.

Ao chegar em casa, Adailton Luis de Jesus da Silva soube pela família que havia sido solto por engano. Como não sabe ler, pediu que lessem para ele o alvará de soltura. Daí pediu para ser preso novamente. E foi. O delegado José Ribeiro Cruz instaurou inquérito para apurar responsabilidades.

Daí vejo na Globonews notícia que dá conta da visita de George W. Bush ao Papa. Bush diz que não quer ser lembrado pela guerra e sim por suas outras realizações (!?!?!?) Dizem no meio diplomático que foi a recepção mais calorosa dada a um chefe de estado extrangeiro.

Alguns jornais italianos insinuam que talvez seja porque Bush, que é protestante, estaria para se converter ao catolicismo.

Socorro, Silvio Brito. Se você continua querendo que parem o mundo para você descer, aguenta um pouco que eu também quero.

sexta-feira, 6 de junho de 2008 - Doces memórias.

Hoje me deu uma tremenda vontade de me empanturrar de doces. Não sei porque. Doce em excesso faz mal à saude. Enquanto me decidia se ia ou não me entregar a essa vontade, lembrei de pessoas que também me lembram doçura.

Não é que me esqueci dos doces materiais e preferi ficar com os doces espirituais.

Uma das maiores dificuldades hoje em dia para quem milita em teatro é achar um bom texto.

Tenho amigos dramaturgos, não muitos, mas tenho. Só que estou procurando algo diferente, algo que meus outros amigos dramaturgos talvez não tenham.

Há tempos, descobri, através da internet que um velho amigo, ator e dos bons, já tem alguns livros publicados. Conhecemo-nos na AIC. Ele era do primeiro time de atores e eu um principiante que ainda estava lutando para aprender alguma coisa de dublagem. Eram ainda aqueles tempos em que a dublagem só dava dinheiro para os patrões. Igualzinho a hoje, só que naqueles tempos o pagamento (!?) pela dublagem era muito pior. Ops, não quero tergiversar a respeito desse assunto, deve ter gente que acha que a dublagem paga muito bem. E o assunto é a respeito de pessoas doces. Continuemos, pois.

Tinha chegado à AIC um seriado, "O Homem de Virginia", e o meu amigo dublava o próprio. Estou falando do Wilson Ribeiro, e prefiro tratá-lo por esse nome, apesar de saber ser um pseudônimo. Normalmente os cabeças de série ganhavam muito mais em relação aos seus coadjuvantes, uma vez que sua participação era maior. Eu ganhei um fixo nessa série, o Ryker, que vinha a ser o ajudante do xerife de Shilo, a cidade onde se passava tudo nessa série. Nos três primeiros episódios dessa temporada, minha participação foi pífia. No quarto, nem entrei. Mas era o único trabalho que a casa estava tendo. Maldições mil, fazer o que?

O Wilson pacientemente encorajava o ator que estava aprendendo; dublagem é assim mesmo, tem muito num dia e nada no outro. Do quinto episódio em diante, aquele coadjuvante cresceu na série e se manteve assim até o final, pelo menos durante o tempo em que ficou na AIC. Nos botecos que frequentávamos, o Wilson falava do seu desejo de ficar rico. Cada dia era um plano, que ele expunha detalhadamente; não tinha como dar errado. O Wilson estava predestinado a ficar rico, mas fora da dublagem. Isso ele pensava. Um dia o Wilson se afastou da dublagem para montar sua própria industria. Só o vi uma ou duas vezes depois disso e a vida seguiu seu curso.

Eu continuei e fui acumulando experiências, umas boas, outras más. Agora uma pausa que vou trocar de doce.

Eu estava ainda em São Paulo, quando recebi o melhor presente da minha vida. Era dia de pagamento na empresa onde trabalhava, fazia espetáculos de bonecos vivos. Apesar de dia de pagamento, tínhamos dois espetáculos no Colégio Arquidiocesano de São Paulo, na Vila Mariana. Fim de mês, ator fica duro que nem côco; e no intervalo do primeiro para o segundo espetáculo, vi as funcionárias encarregadas da folha de pagamento... assistindo ao espetáculo. Ainda precisaríamos ir até a séde, após o espetáculo, para assinar recibos, saber quanto teríamos a receber, para depois ir ao banco. Pela hora, não ia dar de jeito nenhum. E era sexta-feira. Um fim de semana todinho sem grana. Ainda não existiam caixas eletrônicos; não recebeu até sexta, só na segunda. Mas veio também um recado do Libero Miguel, que era o diretor: todo mundo na séde após o espetáculo. Era uma ORDEM.

Fêz-se o espetáculo e, bom, vamos obedecer à ordem. A condução era difícil, não tinha nenhuma direta. Quando estou entrando na séde, veio o outro doce: a Nair (Nair Silva, excelente atriz, brilhante dubladora). A Nair já chegou dizendo: - "Chico, só faltava você!"

Eu estava preocupado com o pagamento, porque o banco daí a pouco ia fechar. A Nair me pegou pela mão e disse: -"Vem cá!"

Eu, aparentando displicência, disse: -"Mas eu não fiz nada... ainda."

A Nair disse: - "Não é o que você fêz; é o que vai fazer!"

E eu recebi então o maior presente que Deus me deu. Ela sabe o que é.

No orkut acabei reencontrando primeiro a Nair e depois o Wilson Ribeiro. Fazem parte dos meus amigos de coração. Não sei se o Wilson Ribeiro ficou milionário de dinheiro, como pretendia.

Mas pelos e-mails que temos trocado, ele ficou milionário de uma coisa que vale muito mais que dinheiro; tem um excelente caráter e um belo saldo com Deus.

Não vejo a Nair Silva há uns dez anos; também ela deve ter também um bom saldo com Deus.

Ah, pedi para o Wilson escrever algo para teatro. Sabem o que êle disse: não, não é sua praia.

Enquanto não consigo convencê-lo, senti um enorme prazer em me lembrar de 2 pessoas docíssimas. Se fôsse diabético, estaria tendo problemas seríssimos por excesso de doçura.

Mas seria uma tremenda falha de caráter da minha parte se não reconhecesse o quanto essas duas pessoas fizeram por mim

quarta-feira, 4 de junho de 2008 - Do mundo e suas doideiras.

Quando criei o blog, primeiramente confessei minha ignorancia completa a respeito disso. Mas, como bom cara-de-pau, contava com a compreensão dos meus amigos. E ela veio. Meus amigos são muito generosos. Ai, aguentem firme.

Porque um blog? Ao escolher o nome ocorreu um daqueles erros de informática que dão a sensação de que o mundo vai desabar sobre nossas cabeças. Teimoso que sou retomei a operação de criação do mesmo mas fui informado de que o nome escolhido já existia. É claro que existia, pois eu mesmo estava tentando criá-lo. Aí a informática praticamente me obrigou a mudar o nome do Blog. Escolhi então um similar, mundo-maluco. Resultado: acabei ficando com os dois.

Então postei minha justificativa no mundo-maluco, informando que iria comentar coisas que vivi na minha carreira de ator, mas não me limitaria a isso. Iria também comentar notícias que no jornal ocupam espaço mínimo.

Pois bem: em minha primeira postagem extranhei o recebimento de um Certificado de Reconhecimento de Conduta Exemplar. Achei extranho e também me dei conta de que neste ano haverá eleições. Meu filho Pedro Henrique matou a pau; o responsável pelo envio do tal Certificado vai ser candidato a prefeito, parece que de Volta Redonda. Bolas, moro no Rio e aqui tenho meu domicílio eleitoral. Será que vou ser convidado para servir de exemplo cívico aos cidadãos de Volta Redonda? Por favor, me incluam fora dessa.

Outro assunto, porque política e políticos só nos enchem o saco.

Minha amiga Sumara me repassou um e-mail informando que os dubladores da série "Os Simpsons" acertaram com a Fox e vão receber até 400.000 US$ POR EPISÓDIO.

E aqui no Brasil não só a Fox, como as demais distribuidoras, estão empurrando goela abaixo de nossos artistas um contrato em que obrigam os mesmos a abrirem mão de todo um passado de serviços prestados para que elas, as distribuidoras, se apropriem do trabalho desses artistas e possam lançar caixas de DVDs com velhas dublagens.

Não era o caso de lembrar que PIRATARIA É CRIME? O que pretendem? Regulamentar a pirataria, desde que seja a favor delas? Ah! O pagamento por hora para os artistas brasileiros ainda não chega a R$70,00 por hora, é menos que isso. Ainda se o artista tiver a sorte de cair na mão de um/a diretor/a que tenha consciencia e que não explore. Sou otimista: ainda deve existir algum elemento desses no meio. Pelo menos, eu acho.

Agora uma notícia local, aqui do Rio. Centro espírita atacado por fanáticos entrará na justiça por causa de danos.

O Brasil é um estado laico. Assumidamente miscigenado, garante liberdade religiosa a todos os cidadãos. Ora, o que deu o direito a 4 desordeiros de invadir uma casa alheia e por 30 minutos berrarem que ali estavam em nome de Jesus e expulsando demonios? E o pastor responsável pela seita (porque é seita mesmo) dizer que ia conversar com os malfeitores porque sua igreja (!?) desaprovava a atitude deles? Soube-se que os adeptos dessa igreja (!?) somam 50 pessoas.

Para esses bandoleiros, lugar ideal para expulsar demonios seria uma boa cadeia. Queria ver essa valentia toda lá.

Gente, prometo que na próxima postagem vou tentar falar de gente da melhor qualidade que conheci e que passou para o andar de cima. Gente que emprestou seu talento para enobrecer a arte de representar. Gente que passou para o andar de cima mas deixou exemplos de trabalho e que podem ainda nos ajudar a suportar esse mundo doido/maluco.

Espero que daqui pra frente eu também acerte no postar. Até.

omingo, 13 de julho de 2008

Estou ficando...

Nunca fui de ficar sòsinho com meu umbigo. Também nunca fui de me meter com a vida alheia.

Sempre tratei de manter extranhos recém-conhecidos com cordialidade mas sem deixar que a aproximação fôsse tão íntima assim. Essa foi minha maneira de colecionar amigos de longa data.

Nunca fui o primeiro a hostilizar ninguém. Mas quando me sentia hostilizado sabia erguer em torno de mim uma verdadeira muralha intransponível.

Nas minhas postagens anteriores, falei que estou ficando internacional, logicamente em tom de gozação. Eu deveria ter feito como se faziam nos scripts de rádio-teatro, indicando entre parêntesis as intenções do texto. Também falei de megalomania. Essa mania de a gente se achar o centro do mundo, a gente e Deus, mais ou menos nessa ordem.

Pois não é que o assunto que foi matéria de capa da revista de O Globo deste domingo tratou da primeira pessoa a manter um blog? O nome dela é Clarah Averbuck.

Ela concede uma entrevista e fala do que ganhou e do que perdeu enquanto se expoz no blog.

Acho que também estou ficando advinho, depois de internacional e megalomaniaco.

Numa postagem anterior, acho que foi onde me declarei internacional, comentei a libertação de Ingrid Betancourt e saudei sua libertação e os comentários do sr. Bush. Mais não quiz dizer porque acho que o meu ponto forte é o humanitário. Não queria misturar humanidade com política porque essa mistura não dá certo. Pois não é que isso está provàvelmente influenciando as sucessão na Colombia? Além da operação de resgate estar sob suspeita?

Aí a minha megalomania (CLARO QUE EM TOM DE IRONIA) me faz ter a audácia de comentar a inciativa de um deputado federal por São Paulo. Deputado que foi muito criticado por mim em conversas de happy hour com meus amigos. Agora estou falando de Clodovil Hernandez.

Como conhecia a figura por suas inúmeras aparições na TV, achava que sua eleição não era merecida. Que contribuição Clodovil poderia dar à câmara dos deputados? Talvez a decoração de seu gabinete e mais a nomeação de alguns assessores para a casa de leis que merece mais ser chamada de casa da mãe Joana.

Pois não é que o Clodovil, quietinho, quietinho, coletou assinaturas para um projeto que reduz o numero de deputados para 250, ao invés dos 513. Claro que muitas assinaturas serão retiradas na hora da onça beber água.

Estaria eu advinhando que esse projeto não vingará?

Estou ficando internacional. Estou ficando megalomaníaco. Estou ficando advinho.

Também estou ficando velho. Será que estou ficando gagá?

Não custa sonhar, mas bem que o Clodovil mereceria passar à história com essa ação dele. Aprovada no congresso. E provando que não sou advinho nem megalômano e só meio internacional.

Para a quase meia duzia de pessoas que estão me dando força para manter esse blog, juro que vou começar a falar mais sôbre o que fiz e vivi enquanto ator em rádio, teatro, TV e dublagem.

Postado por mundomaluco às 22:58 3 comentários

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Será que sou megalômano?

Eu pretendia abordar um assunto que me pareceu piada no início. Vamos por partes. Primeira parte: deu no "O Globo" de 05/07/2008, página 35.

Manchete: "A volta de Dante"; subtítulo: "Poeta é perdoado 706 anos depois de condenado à morte".

Matéria de página inteira. Li a matéria de página inteira.

Minha ligação com o Dante é antiga. Trata-se de Dante Alighieri, poeta italiano.

Aprendi muito cedo que êle era um dos muitos amantes que se notabilizaram através dos tempos. Sua amada seria Beatriz.

Pausa para uma explicação. O primeiro dinheiro que ganhei como ator profissional foi graças ao Dante, na rádio Cultura de Poços de Caldas, no ano de 1955. Tínhamos lá um profissional do "radio de verdade", o Sebastião Leporace, irmão de outro conhecido comunicador, Vicente Leporace.

Sebastião produzia e apresentava um programa semanal e se propoz a "descobrir talentos" naquela época e eu me candidatei. A prova era "ao vivo", com auditório e tudo o mais. Foi-me dado um texto do próprio Sebastião Leporace, um esquete radiofônico, "Amores célebres no século XX", "Dante e Beatriz". Era Dante, o poeta italiano.

Numa história curta e bem-humorada, tratava-se da discussão da relação entre os dois, Dante e Beatriz. Estariam morando junto há mais de 10 anos e até aquele momento ainda não tinha sido marcada a data para o casamento dos dois. Claro que tudo se passando na atualidade de então.

O esquete terminava com Dante, cìnicamente, exigindo do sôgro, pai de Beatriz, uma indenização visto que já tinha mais de 10 anos de casa e não poderia ser dispensado assim sem mais nem menos.

Esta a minha ligação com Dante. Graças a êle, ganhei meu primeiro "cachê" como ator. Me lembro da alegria que tive com meu primeiro dinheiro ganho. Outros vieram.

Mas voltemos à matéria do jornal. "Poeta é perdoado 706 anos depois de condenado à morte"?

Espere aí: esse tempo todo o poeta ficou no corredor da morte, aguardando a chegada do carrasco para cumprir a sentença macabra? O poeta era de Florença. A expectativa de vida de Florença era essa? Que juiz piedoso resolve comutar a sentença? Como seria a execução? Teria direito o condenado a um último desejo? E mais inúmeras interrogações, todas estupefatas.

Aí fui pesquisar mais a sério a história.

Dante Alighieri era de uma família de nobres e, ainda jovem, foi condenado à morte na fogueira, caso voltasse a cidade. Epa! O acusado não esteve presente ao julgamento? Não! Foi tudo jogada política da época. Era tudo um jogo para se aceitar ou não a máxima autoridade do papa de então.

E Beatriz onde entra nisso? Consta que Dante a viu sòmente UMA vez, quando ela era ainda uma criança. Um AMOR PLATÔNICO, e ... PEDÓFILO?

Quando a idéia do perdão a Dante foi debatida na Câmara dos Vereadores e não foi unânime. Muitos vereadores não compareceram e só tiveram quórum por UM VOTO.

Consta que o "perdão" foi concedido para se agradar a um único descendente de Dante. Que beleza se poder viver em Florença, uma cidade que não deve ter problema algum. Nunca estive lá, mas gostaria de poder ver como é a sociedade ideal, sem transito, sem barulho, sem poluição, sem nenhum dos problemas que afligem os comuns dos mortais. Uma cidade que se dá ao luxo de mobilizar seus representantes do povo para dar o perdão a quem nunca o pediu.

Aí eu me vejo tomado de megalomania. Como é? Simples. Todos os que me conhecem sabem que eu gostaria de montar um espetáculo, de cunho espírita, sob o tema ABÔRTO. Estaria também prestando meus serviços a uma causa na qual acredito, mas da qual não sou divulgador. Preferia mostrar através do teatro as causas e consequências desse atentado contra a vida espiritual. Sem proselitismo, que não é minha praia.

Recebo e-mail de pessoa conhecida falando da disposição de determinada pessoa que é candidata à prefeitura a me apoiar nessa empreitada.

Espera aí de novo. Quer dizer que para poder realizar meu projeto teria que me engajar a algum projeto paroquial de poder? Muito obrigado. Os espíritos que estão na fila de espera para reencarnar também agradecem. Preferiam fazê-lo em outras circunstâncias. Não precisam e não querem êsse auxílio político assim como Dante Alighieri também não pediu perdão a Florença quando em vida.

Isto posto, será que não estou sendo megalômano? Parece que depois que me descobri internacional tenho que voltar a exercitar a humildade, o que sempre fiz sem problemas.

Ou os representantes que Florença elege e nós aqui elegemos não merecem respeito?

Já fui Dante em início de carreira e estaria me preparando para um perdão 706 anos depois?

H-E-L-P! S-O-C-O-R-R-O!

Postado por mundomaluco às 11:29 1 comentários

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Vou me meter a internacional.

Na minha última postagem contei que estive em São Paulo para visitar minha irmã que está para voltar à Patria Maior. Mas não fiz só isso, não.

Também aproveitei para ligar para um velho amigo meu, autor teatral, o Cesar Vieira. Batemos um bom papo pelo telefone e êle, que já tem diversos livros publicados, me falou de seus dois mais recentes.

No início de minha carreira como ator, éramos quase que inseparáveis. Protagonizamos cenas lindíssimas de amor à profissão e de talento de parte a parte. Êle fazia muitas conferências sôbre teatro e eu as ilustrava. Dava gosto inocular ideías de liberdade e cidadania nas cabeças jovens de então.

Fundamos um grupo de teatro que foi o embrião do "União e Olho Vivo".

Mas eu também precisava ganhar dinheiro. E a vida levou minha carreira para outros meios. Continuei ator. O grupo de teatro existe até hoje e já se apresentou até no exterior. Com sucesso. Participei de uma festa por ocasião do vigésimo quinto aniversário do grupo aqui no Rio de Janeiro e vi nos integrantes de então a mesma chama que me movia no início. Muito gratificante.

Mas o meu meio de sobrevivência e agora o local de moradia nos afastaram de novo. O Cesar Vieira em São Paulo e eu no Rio.

Pois bem: nessa última conversa êle me contou que sou citado nos dois últimos livros que publicou. E vai me mandar os exemplares. Para um grupo internacional, posso me meter a internacional.

E, enquanto eu contava isso ao meu técnico de informática, prestei atenção na Globonews. Foi libertada Ingrid Betancourt na Colombia. Acho que a grafia correta do nome dela é essa.

Me comoveu ela se ajoelhar e rezar no aeroporto agradecendo sua libertação.

Pra quem passou anos no cativeiro, espero que suas convicções democráticas continuem firmes.

Era a mesma liberdade que pregávamos na minha juventude nas conferências que o Cesar Vieira fazia. Só que vivíamos aqui numa ditadura.

Aí, logo mais no noticiário da noite, vejo o presidente dos EUA, o Bush, elogiar a ação que libertou a senadora Ingrid Betancourt, que tem dupla nacionalidade: é francesa e colombiana.

Como eu agora posso me julgar internacional, também vou elogiar a libertação. Só.

Sr. Bush, agora que o senhor já está sendo considerado um "pato manco", porque no te callas?

A liberdade agradece.

Minha Ausencia - quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Estive ausente por mais de um mês. Foi por uma boa razão. De ordem pessoal, mas uma boa razão.

E nesta volta, vou começar plagiando. Plagiando um dos colunistas que eu gosto de ler. Não o único, mas um deles. O Artur Xexé0. É só a última parte de sua coluna de hoje, 17 de setembro de 2008.



"Ultimamente o "Superpop" tem experimentado Narcisa Tamborindeguy como reporter. É um espanto. Outro dia, numa festa, ela encontrou Paulinho Jobim. Não quiz perder a oportunidade de dar um furo:

- E ai, Paulinho, me conta uma novidade sobre o Tom.

O entrevistado nem teve que pensar muito.

- Já faz algum tempo que não tenho novidades sobre ele.

Em seguida, na mesma festa - era um casamento -, Narcisa entrevista a noiva.

- E aí, querida, onde vai ser a lua-de-mel?

- Vou para as Ilhas Seyschelles.

- Que maravilha! Vai com o maridão?

Essa reporter promete."



E, como diria Millor idíssimo. Fernandes: Pano rap

Voltei?

Peço permissão para uma pausa pessoal. Estive muito ocupado com vários problemas de saude entre os meus, bem como com outros problemas bem prosaicos. Meu genro já foi operado, minha filha vai ser a próxima, já renovei minha CNH, já fiz os exames que tinha que fazer... acabou?

Claro que não. Mas vai se levando a vida como se pode. Felizmente os problemas particulares que estão me mantendo afastado do meu blog são insignificantes perto de outros que assolam esse mundo doido.

Mas hoje estou realmente chateado.

Um grande amigo meu, o Chico Borges, partiu para o andar de cima.

Ele era locutor de cabine na TV Tupi e apareceu na dublagem, graças ao Cazarré. O nome artístico dele era FRANCISCO JOSÉ. Só que eu já estava na dublagem; há pouco tempo, mas já estava. Para não haver confusão nas escalas, ele passaria a adotar o nome de FRANCISCO BORGES.

E nos tornamos amigos. Ele esteve no meu casamento. Quiz até fazer discurso, mas o demovi a tempo, visto que só poucos parentes meus estavam presentes, era uma cerimonia bem íntima.

Muito tempo depois, estive no casamento dele com a Lourdes. Até brincávamos, porque isso foi depois de promulgada a lei do divórcio. Então, ele ia se casar com a mesma mulher depois de anos?!

E continuamos amigos pelos anos afora. Nós nos permitíamos o tratamento de XARÁ. Além de muitas outras afinidades.



E eram muitas rodadas de palitinho com o seu João Valério, que só era menor do que seu enorme coração. Seu João morava perto do aeroporto e, na sua kombi, dava carona ao Xará, que morava na Vila Nova Conceição, e a mim, não sem antes passarmos pela Bela Vista, em lugares que seu João Valério conhecia por causa da linguiça calabreza de primeira. Mas antes tinhamos que passar pelos botecos para "mais uma". Por essa época eu ainda morava no centro de São Paulo. Esse périplo era quase que diário e sempre haveria o dia seguinte para mais uma...

No dia seguinte, todos estávamos no trabalho como se nada demais houvesse acontecido.

O tempo passou, mudamos de empresa, de endereço, eu até de estado.

Trabalhamos em outros lugares, já sem o seu João Valério, que tinha ido para o andar de cima.

Ganhei certa vez um relógio do Xará. De corda ainda, pois que os modernos ainda não existiam.

Esse relógio eu perdi num dos roubos de que fui vítima.

Meu último trabalho de direção de dublagem em São Paulo foi um seriadinho de desenhos animados, o Sinuca e Borba. Era sobre uns matutos americanos, Barney Google e Snuffy Smith.

Na adaptação para o português ficou Sinuca e Borba.

Dirigi os 4 primeiro episódios escalando a mim mesmo como Borba e o Xará como Sinuca. Eram tipos muito divertidos.

Mas houve uma fofoca muito forte e eu preferi pegar o meu boné e vir para o Rio.

15 dias depois, para minha surpresa, o seriadinho veio para ser dublado num estúdio do Rio, porque o cliente queria manter o mesmo elenco principal.

E terminamos aqui no Rio a dublagem deste seriadinho. Os fixos eram Francisco Borges, Francisco José e Iolanda Cavalcanti. A direção foi entregue ao Jorgeh Ramos.

Nessa época eu estava me firmando aqui no Rio. Aconteceu de eu receber o pagamento de uma quinzena. Eu precisava mandar dinheiro para minha família, que ainda estava em São Paulo.

Quem foi o portador? Só podia ser meu amigo de fé, meu irmão camarada, Chico Borges. E ele o fêz com uma presteza extraordinária...

O tempo passou mais um pouco e eu precisei entrar em contato com uma autora de teatro de São Paulo. Quem me socorreu mais uma vez? O Chico Borges. Foi nosso último contato. A vida nos separou pela distância, não pela amizade.

Dia desses, pelo Marco Antonio, recebo notícias de um blog que trata da AIC-São Paulo, notícias de dubladores que faleceram. Lá estava o nome do Chico Borges.

Não acreditei a principio. Sabia que o Chico tinha andado doente. Hoje tive a ideia de procurar na página da AIC. Lá está a notícia com data e tudo. Não vou postar nada no forum da pagina, porque tive muita coisa em comum com o Xará. Mas aqui eu posso dizer mais do Chico.

A morte não existe, é apenas uma mudança de plano. Sai-se de um plano terrestre e vai-se para a Pátria Maior.Nessa Patria Maior vamos estar verdadeiramente com espíritos amigos e, à medida que evoluímos, chegamos mais perto do Criador.

Pelo que conheci do Xará, tenho certeza de que ele agora está bem agasalhado e rodeado de grandes amigos.

A partir de hoje, há um espaço reservado ao Chico Borges em minhas orações.

Um amigo muito especial.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Entrevista de Francisco José Corrêa a Marco Antônio dos Santos

 Essa entrevista foi dada a  meu amigo e admirador Marco Antônio dos Santos. Concedida em 29 de outubro de 2009 ao blog AIC Cinematografia

1 - Quais as outras profissões que você exerceu antes de ser ator/dublador ?




R: Tive outras profissões sabendo que seriam passageiras. Quando aparecesse a oportunidade de ser ator as profissões seriam abandonadas. Assim, fui aeroviário, comprador da Cosipa, jornalista (antes da regulamentação da profissão), assistente de vendas de uma indústria alimentícia. Em todas elas fui relativamente bem pago, mas o vírus já tinha me contaminado. Nos meus tempos de ginásio eu já era um tremendo agitador de teatro.




2 - Como foi percebendo que havia uma vocação artística dentro de você ?



R: Eu era estudante e já vivia metido com rádio. Onde eu morei, Poços de Caldas, também me meti a locutor de rádio, e dizem que eu não era tão ruim... A TV não tinha chegado lá ainda, mas eu ainda não tinha sido mordido pela mosca do teatro. Isso aconteceu quando fui transferido de cidade. Fui para um município do sul de Minas, que não tinha rádio, não tinha nada, Itanhandu,na época 5.000 habitantes mais ou menos. Então a agitação cultural da cidade
era feita por nós, estudantes. Participei da fundação de um jornalzinho da cidade, me encarreguei do teatro do colégio, eu estava em todas.




3 - Quando e como você iniciou a sua carreira artística ?



R: Em 1958, terminado o ginásio, tive que voltar a São Paulo para iniciar minha vida adulta. Foi quando tive uma variedade de profissões. O artista ficou hibernando até 1965. Apareceu minha primeira oportunidade de trabalhar como ator. Após 2 meses de ensaio, a montagem da qual participaria foi proibida pela censura. Mas aí eu resolvi encarar a profissão.
Fiz muitas radio-novelas para o interior, TV (saudosa TV Tupi). Participei da fundação de um grupo de teatro popular que existe até hoje em São Paulo, o TUOV.
Em 1968, filmei um episódio de um seriado para a TV. A produção era de Ary Fernandes, o mesmo de O Vigilante Rodoviário. Só que era sobre a FAB. O seriado era Águias de Fogo e não teve o mesmo sucesso do Vigilante. Durante a filmagem eu soube que seria dublado. Insisti em me dublar. Foi um fiasco. Após não sei quantas tentativas, o Garcia Neto disse para mim:
"- Meu filho, faça um favor para todos nós; fique fazendo só teatro; dublagem você não consegue..."
Isso foi na Odil Fono Brasil. Então comecei a procurar um meio de poder ser aceito na AIC, para aprender a nova técnica. Fui recebido por Older Cazarré, que me guiou nos primeiros passos. E tantos outros. Vou tentar não cometer nenhuma injustiça omitindo nome de alguém. Também me deram dicas preciosas: Flávio Galvão, Ézio Ramos, Wilson Ribeiro, Ary de Toledo, Olney Cazarré, Aldo César, Dráusio de Oliveira, Líbero Miguel, José Soares, Sergio Galvão, Batista Linardi...
Muitos ainda por aqui, outros já foram para o andar de cima...





4 - Como você imaginaria, com a atual tecnologia, a dublagem dos dubladores da AIC ?



R: Se naquela época houvesse a tecnologia atual, a dublagem seria imbatível. Qualquer profissional só poderia ser assim, considerado se tivesse passado pela AIC.




5 - O que melhorou atualmente na dublagem ?



R: Na dublagem atual, aparentemente, melhorou a rapidez. Só. Interpretação nula. Emoção zero. Se você assistir a um filme dublado, já viu todos. As interpretações são mecânicas, sem alma. Qualidade? O que é isso?
Hoje o investimento para se montar uma dubladora é bem menor. Mas tem-se que entrar na disputa de mercado e aí vira uma guerra, com todos querendo tirar vantagem... e todos perdendo.





6 - O chefe Sharkey, da série Viagem ao Fundo do Mar, foi o seu primeiro personagem fixo ? Como você foi indicado ?



R: Eu fiz vários convidados e o chefe Sharkey não foi meu primeiro fixo. Meu primeiro fixo foi num seriado, que também não aconteceu, "Cidade das Ilusões". O chefe Sharkey me foi dado pelo Dráusio de Oliveira. É que o Garcia Neto estava sendo reintegrado na AIC, por ordem judicial. E o reencontro com o Garcia foi muito engraçado, porque eu já tinha mudado de
cara e já fazia tempo do episódio de Águias de Fogo. Garcia Neto foi um dos grandes amigos que fiz na vida; a amizade só foi interrompida porque ele teve que passar para o andar de cima. Muita saudade...






7 - E a sua carreira na Herbert Richers ?



R: É um engano pensar que eu fiz carreira na Herbert Richers. Ainda em São Paulo, passei pela Álamo, Odil Fono Brasil e uma tentativa que houve de erguimento da profissão na COM-ART. Esta tentativa não foi bem sucedida porque na época em nossa ingenuidade quisemos fazer tudo às claras demais. Enquanto as poucas casas de São Paulo se recusavam a fazer o pagamento-hora, a COM-ART implantou-o, apesar da campanha violenta de descrédito, principalmente pelos dirigentes da Álamo e de alguns membros da categoria que diziam que o "pagamento-hora iria quebrar as empresas".
Com a quebra da COM-ART, por motivos outros, não havia mais trabalho para mim em São Paulo. Foi então comunicado a outro grande amigo que eu tinha feito no meio, Marcos Miranda, a minha situação. Herbert Richers foi cientificado e disse que, desde que eu não viesse ao Rio apenas por um tempo, eu teria emprego garantido em sua empresa.
Eu vim para o Rio e em menos de 6 meses tinha conseguido trazer toda minha familia, esposa e três filhos.
A relação que tive com Herbert Richers foi pautada pelo maior respeito e lealdade. Fiz bons trabalhos lá. Como dublador destacaria:
"Uma Cilada para Roger Rabbitt", "Contratempos", "Thundercats", "Ursinhos Gummi", "Silverhawks", e várias miniséries.
Como diretor de dublagem também fiz muitas miniséries e alguns longa metragens. Destacaria: todos os episódios de "Loucademia de Polícia", "Cuidado com as Gêmeas", "Uma Linda Mulher", "Aventureiros do Bairro Proibido", "Colors, as Cores da Violência", "Henrique V". Quando estava para completar 10 anos de casa, é claro que tive que ser demitido.
Fui então convidado para ser diretor exclusivo da VTI. Como a relação não era de respeito como a que eu tinha na Herbert Richers, eu me demiti, após 7 meses, onde não trabalhei, apenas "cumpri pena". Mesmo assim, posso me orgulhar pela direção de dublagem, inclusive escalação de elenco fixo, do primeiro ano de "Arquivo X". E nesse tempo em que "cumpri pena" ainda dirigi mais dois seriados, "Deep Space Nine" (uma continuação de Jornada nas Estrelas) e "Os Novos Intocáveis", série que foi reprisada "n" vezes no Universal Channel.
Quando me demiti da VTI, fui chamado de novo à Herbert Richers. Aceitei, desde que fosse apenas para dublar. Mas nao tardaria convite para dirigir em outra empresa do Rio, a Cinevideo. Eu trabalhava como diretor de dublagem em uma empresa e como dublador na outra. Mas o meu tempo maior era absorvido pela direção. Aí dirigi um seriado que foi acompanhado pelo representante da Warner, "Histeria". Recebi elogios da Warner e da direção da Cinevideo.
Quando a saúde de Herbert Richers começou a decair, fui desligado de sua empresa por comum acordo. Isso em 2003.
Em 2005 foi a vez da minha saúde reclamar. Tive problemas circulatórios que por pouco apressam minha ida para o andar de cima.
Requeri minha aposentadoria e ficaria dublando agora mais por hobby. Mas veio a forte pressão para cessão de direitos de intérprete.
Como me recusei a ceder, minha entrada foi proibida nos estúdios.



8 - Quais são as tuas atividades profissionais atualmente ?



R: Aposentado e com a saúde parcialmente recuperada, fui convidado a entrar em novo ramo: o livro falado. É o que estou fazendo atualmente. Dirigi várias gravações de audio-livros para a Bienal do Livro, aqui no Rio de Janeiro. Felizmente foi um sucesso total.
Agora estou tentando viabilizar a gravação de um texto de autor paulista, muito amigo meu, desde 1965. Vai dar certo? Não sei... ainda.



9 - Que aprendizado você teve, após tantos anos da tua carreira ?



R: Se você acreditar, se a causa for justa, se o trabalho for honesto, o sucesso virá.
Eu me orgulho muito dos amigos que fiz em toda minha caminhada. Se pude ajudar iniciantes, o fiz sempre com o coração aberto.
Valeu a pena? É claro que valeu. Faria de novo? Faria tudo. Exatamente como fiz.




10 - Há pouquíssimos registros sobre a dublagem no Brasil, você vivenciou várias etapas, nunca pensou em escrever um livro de memórias ?



R: Há pessoas que também viveram os fatos narrados e estão vivas por aí para testemunhar.
Eu mantive um blog durante algum tempo e pretendia contar fatos, alguns engraçados, outros tristes, dos quais participei.
Quando meu amigo Francisco Borges foi para o andar de cima, eu decretei a morte do meu blog.
Certamente, tenho algumas histórias do meu tempo de AIC. De vez em quando, pretendo ocupar sua paciência contando-as.
Afinal, o projeto de vida já existia há tempos, mas foi lá que foi pavimentada a estrada para a trajetória.

Abraços,

Francisco José.

(para os amigos como você Chico José)




***Agradecemos ao dublador e amigo Francisco José Correa por este pequeno depoimento***

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Personagens dublados por Francisco José Corrêa




Fonte: Wikipédia

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

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Índice do blog



Um recorte -

Aguardem-me após o carnaval. O Brasil vai começar a trabalhar e eu também. Eu já tenho projetos. Alguns ligados a teatro, outros ligados à nova atividade: o audiolivro. Quem sabe o que poderá dar samba?

Francisco Jose em: As Primeiras Dublagens no Brasil

A seguir uma relação de filmes que dublei (os principais),

O Incidente", mais ou menos em 1972. Dublei o ator Tony Musante. Este filme foi considerado o filme da década por uma das academias de cinema dos EUA (60/70) por ter sido filmado quase que inteiramente num vagão de metrô. Tony Musante e Martin Sheen deram um verdadeiro show de interpretação. A dublagem foi dirigida por Ezio Ramos e eu e Gervásio Marques tivemos elogios em tabela pela dublagem . Voltei a dublar o ator Tony Musante 3 ou 4 depois em outro longa metragem, "Os Violentos vão Para o Inferno". Que SENHOR ATOR! "O Incidente" foi dublado na AIC. "Os Violentos Vão Para o Inferno" na Odil-fonobrasil. "Amor Entre Ruinas" e "O Mercador de Veneza". Fõram 2 longas metragens, dublados um logo após o outro, ambos estrelados por Sir Lawrence Olivier. Foi feito teste de vozes para a dublagem de Sir Lawrence e eu ganhei, mesmo com a controvérsia da época. Muitos achavam que eu era muito novo para fazer a voz do ator que então já estava com mais de 60 anos... e eu nem 40 tinha. Dublagem feita na Álamo, sob a direção de Raymundo Duprat. Em 1977 mais ou menos. O desafio maior foi fazer Shakespeare em dublagem, sendo fiel em tudo, do texto às intenções. Aí começou a minha fase na Herbert Richers. Vou citar só os principais, desobedecendo inclusive a ordem cronológica. "Robin Hood de Chicago", Frank Sinatra; "Doze Homens e Um Destino", ; "Uma Cilada Para Roger Rabbit", Christopher Lloyd. Os seriados: "Thunderkats", "Silverhawks", "Os Ursinhos Gummi", "Twin Peaks", "Contratempos" e varios outros. Como diretor de dublagem, na Herbert Richers, vale destacar: "Henry V", "Cuidado com as Gemeas", todos os LMs "Loucademia de Policia", "Duck Tales", "Uma Linda Mulher", "Aventureiros do Bairro Proibido", "Operação Dragão", "Teddy Ruxpin"... fôram quase 20 anos. Na VTI, dirigi o primeiro ano do seriado "Arquivo X", "Deep Space Nine" e "Os Novos Intocáveis". Na Cinevideo dirigi: "Como se Fosse a Primeira Vez", "Histeria", "A Agenda do Meu Namorado", etc.. Muito mais coisas foram feitas, mas a memória não permite que a gente se lembre de tudo. Enumerei apenas os trabalhos que acho mais relevantes. Pode ter escapado algum; ou não. Não consegui ver nada relacionado a "O Incidente", mas esse filme é antigo, da década de 60, não deve estar na internet.... Em todo o caso, trata-se de 2 marginais que aprontam num vagão do metrô... Francisco José

Alguns filmes que dirigi

  • Alguns filmes que dirigi

Uma Linda Mulher - 1990 - Dublado - parte 1

1- Loucademia de policia

histeria 2 (serie TV)

Duck Tales Vender ou não Vender eis a questão parte 1

Uma Silada para Roger Rabbit

Twin Peaks - Episodio Finale (8/10

Os Aventureiros do Bairro Proibido - Chamada (Trailer)

A Agenda Secreta do Meu Namorado - Trailer

Teddy Ruxpin

The Incident (1967) - Part 10

5- The Incident (1967) - Part 10 6-Silverhawks
10 - Série "Águias de Fogo" (nacional 1967) - Episódio O Imprevisto         Recorte  - Um joguinho pra você "Joguinho Atirador de bolas" fonte : http://templateseacessorios.spaces.live.com
13- 15  -      

Silverhawks

OPERAÇÃO DRAGÃO -TRAILER - DUBLADO

thundercats

Os Ursinhos Gummi O segredo do suco 0202_parte01

O Mercador de Veneza

- O Conde De Monte Cristo Dublado Parte 2

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Um ator que acha que ainda pode fazer muito pela raça humana, mesmo que ela não queira. Mas não me considero leviano. Afinal, eu gosto de gente.

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